June 23, 2006

Perdedores do Brasil.

Blogueiros são perdedores por excelência. O fator mutante loser é intrínseco ao blogueiro, faz parte de sua natureza, está em seus genes, e é tão certo quanto 1+1=2.

Todavia, se não bastasse ser um perdedor, o blogueiro muitas vezes acaba por conhecer outros seres de mesma espécie, que são igual e invariavelmente - advinhem - perdedores. Basicamente, criam-se os alicerces para uma forma de interação social, que se torna por conseqüência e em via de regra um círculo vicioso loser sem paralelo na história da humanidade. 

Não adianta sequer o indivíduo blogueiro tentar escapar dessa famigerada rede de perdedores - também conhecida em termos científicos por losernet -, pois ele não vai conseguir. Primeiro, porque ele é um perdedor; segundo, porque "losers always quit". 

A fim de confirmar minha tese, apresento um exemplo dessa singular espécie. Acredito que muitos de vocês já devem conhecê-la, o que irá facilitar minha explanação. Vejam o que essa pessoa teve a pachorra de me dizer via messenger:

Lilhá diz:
vou comprar o usb connector do DS
Lilhá diz:
e o plano é o seguinte:
você vem aqui e joga mario kart online, mas fala que sou eu.

Sejam sinceros: é ou não é a coisa mais loser que vocês já viram na vida? 

Não, não é.

Zé Ricardo diz:
porra! Demorô, véi.

É isto. 

June 21, 2006

Solteira, mano.

Nem todos sabem, mas eu já fui uma senhoura casada.

Até janeiro desse ano, eu coabitava com o namorado, um rapaz de boa família e boa índole, que eu julgava confiável até ele me trair levar meus dvds do Tarantino embora.

Depois de cinco meses, posso dizer de boca cheia que estou bem melhor agora do que antes. E no fim das contas, fiquei com o apartamento, os livros e os amigos. Ele ficou com uma moça muito, muito feia. Quem viu garante que o precisa licença do Ibama pra levar pra passear. que ele deve gostar.

Mas meu protesto aqui não é contra ex-marido - esse fica pra outro dia pobrezinho. É contra as pessoas idiotas que acham que quem se separa depois de sete anos tem que sofrer muito, chorar, se descabelar.

Em um mês eu já tava jóia. Pôxa, fiz muita coisa legal que eu tinha deixado de lado nesses anos de relacionamento.

Emagreci, meu cabelo tá melhor, comprei roupa nova, mudei pra um apartamento mais legal, fui pra um emprego onde ganho 30% a mais do que ganhava.

Retomei amizades, fiz novos amigos, conheci pessoas muito legais, tive um caso secreto, viajei, fui pra lugares lindos, dei muita risada, me bronzeei. Minha pele está ótima.

Mas ainda tem um bando de urubus indignados. Um monte de gente que acha que eu ainda sou apaixonada pelo Roberto, que eu na verdade estou sofrendo, que um dia desses vou cair em mim e chorar sem parar.

- Gabi, você está bem mesmo? Não sente saudades? Pode se abrir…

E os olhos até brilham esperando o momento em que eu vou gritar, arranhando meu próprio rosto:

- Meu deus do céu, você está certo! Eu estou sofrendo muito! Como não percebi isso antes? The horror, the horror!!!

Minha gente, pra vocês eu deixo um abraço e um recadinho: Solteira. Tranquila. OK? Sem grandes crises.

O que eu tinha pra chorar já foi. Fica uma raivinha pelos DVDs, porque afinal de contas, levar pé na bunda nunca é uma coisa muito agradável. Em compensação, chutes no traseiro tendem a te empurrar pra frente.

E eu tô indo bem na direção certa.

June 16, 2006

O Zé só fala merda.

 

Quando fui convidado a participar deste blog, eu admito que não sabia qual seria o seu intuito, e postei que iria fazer cocô. Agora que o povo já começou a postar em massa, eu continuo não sabendo o objetivo deste blog, mas pelo menos agora eu saí do banheiro (é, eu demorei um pouco).

Como meu blog está completament dedicado à cobertura da Copa do Mundo, vou aproveitar a oportunidade e escrever minhas bobagens por aqui.

Àqueles que não me conhecem, eu digo que sou um show de rapaz, gato, e antenado nas novas tendências da moda mundial. Todavia, não sou emo, porque eu não choro, nem beijo meus amigos na boca. Tampouco sou homossexual, mas em um momento puramente "Queer Eye For The Straight Guy", vamos comentar a nova sensação européia na decoração de interiores:

PAPEL HIGIÊNICO PRETO

 

Má que porra é essa, véi?

Quem é o puto que vai comprar uma porcaria dessa? Eu não sei quanto a vocês, queridos leitores, mas eu gosto de papel higiênico branquinho, duas folhas, suave. Branquinho pra eu ver se o brioco está limpo ou sujo; duas folhas pra agüentar o tranco; suave pra não lixar o períneo. Nem de perfumado eu gosto, porque não sou boiola pra ter cu cheiroso.

Desculpem-me, mas desrespeitar a santíssima trindade anal* (branquinho, duas folhas, suave) é uma afronta aos costumes enraízados há longo tempo em nossa sociedade. Papel higiênico preto é bizarro, tão bizarro quanto a garota de ipanema e sua filha posarem juntas na Playboy. Parece que não há limites para o cérebro humano em criar tolices.

Enfim, o que nós, pessoas de bem, podemos fazer para conter esse tipo de absurdo? 

Nada.

Não sei quanto a vocês, mas vou voltar pro lugar onde estava antes de começar este post. Parafraseando aquela música dos Garotos Podres: "o quê que eu faço? Vou fazer cocô!", pois de merda já basta ter que aturar a minha. E se você fosse inteligente não teria aturado nem este post.

* para a maioria das pessoas a santíssima trindade anal é camisinha, KY, e xilocaína. Como sou blogueiro, eu não faço sexo e não sei o que são essas coisas. 

Nada.

Estou começando a gostar deste blog.

Layout legal, postadores legais - pelo menos até agora - e tema legal - é sempre bom falar sobre… nada, como sempre fez o nosso velho e bom Seinfeld, com maestria. No meu blog eu também costumo falar sobre nada, mas aqui eu sinto uma liberdade pra falar sobre o nada AO QUADRADO.

Gosto disso.

Esse post, por exemplo, fala sobre nada. Comecei a escrever sem ter o que falar, fora dizer que tô gostando do blog.

Não vou falar mais nada porque aí nego não lê o post; eu tive que respirar fundo pra ler o post aí debaixo.

o/

June 15, 2006

Servimos bem para servir sempre o caraleo.

Quer ver coisa irritante? Trabalhar no comércio. Eu trabalho nisso desde
2000 e continuo achando uma merda.

Eu era uma moça feliz, estudava Psicologia e achava que um dia ia ter meu
consultório, bonitinha e tudo mais. Aí lá pelo terceiro ano eu passei a me
questionar, cheia de dúvidas existenciais: “Será que é isso mesmo que eu
quero? Será que vai demorar pra formar clientela? Será que vou acabar me
matando num escritório de RH? Odeio RH…”

E aí tive a brilhante idéia de trancar a faculdade e prestar vestibular pra
Hotelaria. Me formei e comecei a trabalhar num hotel cinco estrelas enorme e
glamouroso, onde era explorada em troca de um salário mínimo. Mesmo com um
chefe fofo que parecia o Mace Windu e fazia brincadeirinhas jedi de abrir a
porta do elevador, não agüentei mais e pedi demissão. Depois de alguns meses
de pindaíba, surgiu uma oportunidade de trabalhar no varejo. O salário era
simplesmente 4 vezes maior do que eu ganhava na hotelaria. Fui.

Seduzida por promessas vãs de dinheiro fácil, descobri o lado obscuro da
vida. O dinheiro fácil não veio. Aliás, não veio dinheiro, nem fácil nem
difícil. Trabalho, trabalho, trabalho. Férias canceladas. Finais de semana
comprometidos.

Comerciário não tem vida própria. Pautamos nossas vidas e compromissos
pessoais numa coisa medonha chamada escala. Imaginem só:

- Chefe, vou me casar em Novembro!
- Que dia?
- Dia 15!
- É feriado, não? Cai de sábado?
- Sim.
- Então esquece, porque você só folga sábado e domingo seguidos depois da
Copa de 2012. Ainda mais com feriado no meio.
- Merda.

O pior é que agora a chefe sou eu. E ainda assim estou aqui, em pleno
feriado, trabalhando. Só eu sei os plantões insanos que eu terei que fazer
em troca dos três dias de folga que terei entre sexta e domingo próximos.

Depois de seis anos, posso dizer de carteirinha: não deixe seu filho ser
comerciário. Deixe-o ser diplomata, veterinário, lixeiro, limpador de
piscina, guitarrista de banda de punk rock. Mas não permita que ele seja
comerciário.

Michê tem vida mais digna.